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Fragmentação do eSIM: Por que as Operadoras Ainda Não Conseguem Entrar em Acordo sobre um Padrão

Fragmentação do eSIM: Por que as Operadoras Ainda Não Conseguem Entrar em Acordo sobre um Padrão

SGP.22, SGP.32 e TS.43 estão todos implantados — e são incompatíveis. Uma análise profunda sobre a fragmentação do eSIM, o gap de ativação e a realidade da implantação global de IoT.

Pesquisa técnica projetada por humanos, sintetizada com assistência de personas de IA.
22 min de leitura

TL;DR / Sumário Executivo

SGP.22, SGP.32 e TS.43 estão todos implantados — e são incompatíveis. Uma análise profunda sobre a fragmentação do eSIM, o gap de ativação e a realidade da implantação global de IoT.

💡 TL;DR (Too Long; Didn't Read)

Destaques em 60 segundos:

  1. Fragmentação de Padrões: A GSMA publicou três padrões distintos de provisionamento de eSIM (SGP.22, SGP.32, TS.43). Na prática, nenhum deles é universalmente suportado, criando requisitos de configuração incompatíveis entre as operadoras.
  2. O Gap de Ativação: Embora 73% das operadoras móveis afirmem ter suporte a eSIM, menos da metade possui os servidores de ativação (entitlement) ou de gerenciamento remoto de IoT necessários para ativar dispositivos headless sem intervenção manual.
  3. Barreiras Regulatórias: Proibições de roaming permanente em mercados de crescimento importantes como o Brasil (regra de 90 dias da ANATEL), Índia e China exigem troca de perfil local orientada por software (eIM) para garantir a conformidade.
  4. Estratégia de Engenharia: As equipes devem desacoplar os SKUs de hardware globais dos contratos das operadoras, priorizando hardware eUICC pronto para SGP.32 e fazendo parceria com MVNOs em conformidade para navegar pelas lacunas específicas de cada operadora.

O Padrão que se Canibalizou

A GSMA tem um problema de fragmentação, e ele é inteiramente autoinfligido.

Entre 2016 and 2025, a organização publicou três especificações separadas de provisionamento de eSIM: SGP.22 para dispositivos de consumo, SGP.02 para IoT M2M e SGP.32 como o substituto de IoT de próxima geração. Em seguida, adicionou o GSMA TS.43 para transferências de perfil entre dispositivos. Cada especificação resolveu um problema real. Cada especificação também criou novas incompatibilidades com as outras.

Verified SourcePadrões GSMA eSIM

GSMA — Visão Geral e Padrões da Tecnologia eSIM. A fonte oficial para os documentos de especificação SGP.21, SGP.22, SGP.32 e TS.43, incluindo planos de teste de conformidade e a infraestrutura de Emissor de Certificado (CI) da GSMA.

Hoje, a Juniper Research estima que aproximadamente 1,5 bilhão de dispositivos compatíveis com eSIM estejam ativos globalmente em 2026. A GSMA Intelligence projeta que a penetração de eSIM em smartphones atingirá 10% da base instalada global até o final do ano, com 4,9 bilhões de conexões eSIM em smartphones esperadas até 2030. O mercado é enorme, cresce rapidamente e está fragmentado operacionalmente de formas que a maioria das equipes de engenharia descobre apenas depois que sua primeira implantação em produção falha.

Verified SourceGSMA Intelligence

GSMA Intelligence — Prospecção de eSIM em Smartphones até 2030. Fonte primária para a projeção de 10% de penetração em 2026 e a previsão de 4,9 bilhões de conexões em 2030.

ReportedJuniper Research

Juniper Research — Conexões eSIM Ultrapassarão 1,5 Bilhão Globalmente em 2026 (previsão de 2025). Comunicado de imprensa amplamente citado na indústria; metodologia não auditada publicamente. Tratado como indicador direcional, não como número auditado.

Esta não é uma história sobre padrões que não saíram do papel. Todas as três especificações têm implantações em produção. A fragmentação existe precisamente porque cada especificação reflete um conjunto diferente de compensações (trade-offs) feitas em momentos distintos, para categorias de dispositivos diferentes, por grupos de trabalho distintos dentro da GSMA — e as operadoras as implementaram em combinações variadas, em diferentes níveis de fidelidade e cronogramas distintos.

Se você está construindo um dispositivo conectado que precisa funcionar em várias operadoras ou vários países, você não está escolhendo um padrão. Você está escolhendo com qual conjunto de limitações pode conviver.


O que a GSMA Realmente Publicou (e o que Deixou Indefinido)

Compreender a fragmentação exige ler os padrões como um engenheiro de implementação, não como um autor de comitê de padronização. As especificações definem a arquitetura. Elas não definem cada caso de borda, comportamento de código de erro ou protocolo de integração inter-operadoras. Essa lacuna é onde mora a fragmentação.

SGP.22: O Padrão de Consumo que se Tornou o Padrão

O SGP.22 (junto com sua especificação de arquitetura SGP.21) foi lançado em 2016 para smartphones, smartwatches e tablets. Sua arquitetura principal é um modelo "pull": o dispositivo, guiado por um usuário, inicia o download do perfil.

Os principais atores no ecossistema SGP.22 são:

  • SM-DP+ (Subscription Manager - Data Preparation+): O cofre seguro da operadora. Ele gera, criptografa e armazena os perfis dos assinantes, aguardando as solicitações de download.
  • SM-DS (Subscription Manager - Discovery Server): Uma camada global de roteamento. Quando um dispositivo precisa buscar um perfil, ele consulta o SM-DS para descobrir qual SM-DP+ contém seu perfil. A GSMA opera o SM-DS raiz; as operadoras podem operar servidores SM-DS secundários em cascata.
  • LPA (Local Profile Assistant): O componente de software no dispositivo, geralmente incorporado ao sistema operacional, que orquestra a comunicação entre o chip eUICC e os servidores remotos.

O fluxo do SGP.22 é determinístico quando funciona: escaneia-se um código QR, o LPA entra em contato com o SM-DS, descobre o SM-DP+ da operadora, estabelece uma sessão TLS mutuamente autenticada usando certificados da GSMA CI (Certificate Issuer), baixa o perfil criptografado e o instala no eUICC. Toda a sequência é acionada pelo usuário e pressupõe um dispositivo com tela, capacidade de entrada de usuário e uma conexão de internet estável.

Essa suposição é onde toda implantação de IoT falha.

SGP.02: O Padrão M2M que Criou Vendor Lock-In em Escala Industrial

O padrão SGP.02 mais antigo (com SGP.01 como sua especificação de arquitetura) foi projetado para o mercado M2M: telemática automotiva, medidores inteligentes, terminais de ponto de venda. Ele usa um modelo "push", onde a infraestrutura da operadora envia atualizações de perfil para o dispositivo.

A arquitetura SGP.02 substitui o SM-DP pelo SM-DP e adiciona um novo ator: o SM-SR (Subscription Manager - Secure Routing), que gerencia o canal seguro para o eUICC de cada dispositivo e orquestra as operações de perfil.

Aqui está o problema crítico: para trocar de operadora no SGP.02, o SM-SR da operadora atual (a "doadora") deve estabelecer uma conexão em tempo real com o SM-SR da nova operadora (a "receptora") para transferir a custódia da autorização de download do perfil. Isso exige acordos comerciais bilaterais entre operadoras, integrações de APIs personalizadas e coordenação operacional contínua.

O resultado é que as implantações SGP.02 ficam efetivamente presas à operadora que provisionou o dispositivo na fábrica. A troca de operadoras exige a substituição física do SIM ou uma integração bilateral entre operadoras que a maioria delas não construiu. Para uma frota de 50.000 medidores inteligentes implantados em três países, esta não é uma limitação teórica. É um problema de milhões de dólares.

SGP.32: O Padrão IoT que Chegou Tarde e Ainda Está Sendo Implantado

O SGP.32 foi lançado em 2022 e atingiu implantações comerciais de produção no final de 2024 e 2025. Ele foi projetado explicitamente para resolver o problema de lock-in do SGP.02 e o problema de interação com o usuário do SGP.22 simultaneamente.

A arquitetura introduz dois novos componentes:

  • eIM (eSIM IoT Remote Manager): O plano de controle voltado para a empresa. Em vez de exigir coordenação bilateral de SM-SR entre operadoras, o eIM atua como um intermediário que pode enviar comandos de gerenciamento de perfil para dispositivos em qualquer rede de operadora. A empresa opera ou contrata o eIM; o eIM se comunica com as operadoras por meio de interfaces padronizadas.
  • IPA (IoT Profile Assistant): Um cliente leve no dispositivo, otimizado para hardware limitado. Ao contrário do LPA no SGP.22, o IPA é projetado para dispositivos executando NB-IoT ou LTE-M, com memória limitada, conectividade intermitente e sem margem de consumo de bateria para excesso de protocolos.

O SGP.32 substitui o canal tradicional de comandos OTA (Over-The-Air) baseado em SMS por protocolos baseados em IP, especificamente CoAP (Constrained Application Protocol) sobre DTLS (Datagram Transport Layer Security). Isso reduz o consumo de energia por operação de aproximadamente 50 mJ (para uma transação OTA por SMS completa em um dispositivo com poucos recursos) para cerca de 3 a 5 mJ em uma troca CoAP/DTLS, uma redução que faz enorme diferença para um sensor alimentado por bateria com meta de vida útil de implantação de cinco anos.

O padrão também permite conectividade "bootstrap": um dispositivo sai de fábrica com um perfil provisório temporário que fornece conectividade suficiente para baixar seu perfil de produção a partir do eIM. O dispositivo nunca precisa de troca física de SIM. A atribuição da operadora ocorre via software, acionada pelo eIM quando o dispositivo se conecta pela primeira vez.

Este é o modelo de implantação zero-touch que a indústria tem perseguido desde que o SGP.02 o tornou impossível.


O Gap de Ativação: Por que 73% de Suporte Significa 40% de Capacidade

Aqui está o problema de métrica que está no centro da história da fragmentação do eSIM.

A pesquisa da GSMA em 2025 constatou que 73% das operadoras de rede móvel globalmente afirmam oferecer suporte a eSIM. O número é tecnicamente preciso e operacionalmente enganoso na mesma medida. O que significa "suporte" varia enormemente por operadora:

Verified SourceRelatório de Conformidade eSIM da GSMA 2025

GSMA — Relatório de Conformidade eSIM 2025. Fonte primária para a taxa de adesão de 73% das MNOs e análise da lacuna de ativação entre o suporte auto-declarado pelas operadoras e a capacidade operacional de provisionamento.

Nível de SuporteO que Significa na Prática% Estimada de MNOs
Nível 1: Entrega de perfilPode enviar um perfil para um dispositivo compatível~73%
Nível 2: Fluxo completo de consumoCódigo QR + OTA + ativação sem visita à loja~55%
Nível 3: Provisionamento corporativo automatizadoProvisionamento em lote orientado por API para frotas de IoT~30%
Nível 4: Integração SGP.32 / eIMSuporte completo para dispositivos headless sem tela~15%
Nível 5: Transferência TS.43Transferência nativa de perfil eSIM entre iOS/Android~20%

A lacuna entre o Nível 1 e o Nível 4 é o gap de ativação. Uma empresa que implanta 10.000 sensores de agricultura inteligente na Alemanha, no Brasil e no Japão precisa do Nível 4 de cada operadora em cada país. Encontrar uma única operadora capaz de SGP.32 por país é um desafio in 2026. Encontrar duas para redundância é ainda mais difícil. Encontrar três com preços competitivos é, em muitos mercados, simplesmente impossível.

Os motivos para o gap não são principalmente técnicos. A especificação SGP.32 está completa. A Trusted Connectivity Alliance (TCA) publicou suítes de testes de conformidade. Fabricantes qualificados de eUICC existem. O gap é comercial e organizacional: as operadoras não investiram na atualização de sua infraestrutura de provisionamento porque o mercado corporativo de IoT, embora crescente, ainda não gerou a pressão de receita necessária para mover grandes operadoras no ritmo que as empresas precisam.


Fragmentação Regulatória: Quando os Padrões Não São o Problema

Mesmo que todas as operadoras do mundo implementassem o SGP.32 com perfeição, os engenheiros que implantam dispositivos de IoT globalmente ainda enfrentariam uma segunda camada de fragmentação, totalmente separada: os regimes regulatórios nacionais que governam o roaming permanente.

O roaming permanente é a prática de um dispositivo usar um perfil de eSIM estrangeiro indefinidamente em uma rede doméstica, sem nunca se registrar em uma operadora local. É economicamente atraente para as empresas (um único contrato de operadora global, uma única plataforma) e legalmente proibido ou fortemente restrito em pelo menos 40 países.

Brasil: O Relógio de 90 Dias

A ANATEL, órgão regulador de telecomunicações do Brasil, define o roaming permanente como o uso contínuo de um perfil estrangeiro em redes brasileiras por mais de 90 dias consecutivos. Após 90 dias, as operadoras são obrigadas a bloquear ou desativar a conexão. A ANATEL também determinou a validação de identidade por biometria para o provisionamento remoto de eSIM, adicionando uma camada de KYC (Know Your Customer) que a maioria das plataformas corporativas não foi projetada para lidar em dispositivos headless.

Verified SourceANATEL Resolução nº 765

ANATEL — Resolução nº 765, de 18 de novembro de 2021. Fonte regulatória primária brasileira que estabelece a definição de roaming permanente de 90 dias e os requisitos de validação biométrica para ativações de eSIM.

A solução do SGP.32 é a localização automática de perfil: quando um dispositivo entra no Brasil pela primeira vez, o eIM detecta a localização, aciona uma troca de perfil para uma operadora brasileira e o dispositivo passa a operar em um perfil local. Na teoria, isso acontece antes do relógio de 90 dias sequer começar. Na prática, exige que a empresa tenha um acordo comercial com uma operadora brasileira, e essa operadora deve ter uma integração eIM funcional e um fluxo de provisionamento em conformidade.

Claro Brasil, Vivo (Telefônica Brasil) e TIM Brasil oferecem provisionamento de eSIM para clientes corporativos, mas sua prontidão para SGP.32 em meados de 2026 está no Nível 2 ou Nível 3 da taxonomia acima, não no Nível 4. Os engenheiros que fazem implantações no Brasil em 2026 dependem tipicamente de MVNOs (Mobile Virtual Network Operators) especializadas com perfis locais em conformidade com a ANATEL e acordos de roaming pré-negociados que lidam com a transição regulatória automaticamente.

Índia: O Firewall de KYC da TRAI

A Autoridade Reguladora de Telecomunicações da Índia (TRAI) proíbe efetivamente o roaming permanente por meio de um mecanismo diferente: o registro obrigatório de KYC para todas as ativações de SIM, incluindo o provisionamento de eSIM. Cada assinante, incluindo cada dispositivo IoT, deve estar vinculado a uma identidade registrada nos bancos de dados regulatórios indianos.

Verified SourceRecomendações M2M TRAI Índia

TRAI — Telecom Regulatory Authority of India, Recomendações sobre o Uso de eSIM para Comunicações Machine-to-Machine (M2M) (Março de 2024). Fonte primária para a exigência de KYC na Índia e licenciamento de M2M que afeta o provisionamento de eSIM.

Para dispositivos de consumo, isso significa eKYC vinculado ao Aadhaar. Para dispositivos M2M e IoT, significa provedores de serviços M2M registrados que operam sob a estrutura de licenciamento da Índia. O roadmap de M2M da TRAI exige explicitamente o provisionamento de perfil local para dispositivos que operam na Índia além de períodos de curto prazo.

A consequência prática para os engenheiros é que as plataformas de IoT globais que não possuem parcerias de M2M em conformidade com a TRAI não podem operar legalmente na Índia em longo prazo, independentemente de quão bem sua tecnologia de eSIM funcione.

China: Soberania sobre a Conectividade

A abordagem da China é a mais restritiva: uma combinação de requisitos de soberania de dados do "Great Firewall", registro de identidade obrigatório vinculado a números de identificação chineses ou licenças comerciais locais, e controles rígidos sobre quais servidores SM-DP+ podem provisionar perfis para dispositivos operando na China.

Os perfis de eSIM estrangeiros podem funcionar em uma base de roaming de curto prazo, mas a implantação de longo prazo de dispositivos IoT na China sem perfis provisionados domesticamente é legalmente precária. As operadoras chinesas que operam sob a supervisão do MIIT (Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação) investiram fortemente na infraestrutura de eSIM doméstica, mas essa infraestrutura é intencionalmente isolada das redes globais SM-DS e SM-DP+.

A consequência de engenharia é que uma única estratégia global de implantação de eSIM não pode incluir a China. A China exige uma pilha de provisionamento separada e ancorada domesticamente, com operadoras que atuam dentro do ambiente regulatório chinês.


O Problema de Transferência do TS.43: Fragmentação de Consumo Visível a Olho Nu

Enquanto os engenheiros corporativos lutam com o labirinto regulatório, os engenheiros de dispositivos de consumo enfrentam sua própria fragmentação de padrões por meio do GSMA TS.43.

O TS.43 define a estrutura de "Ativação de Serviço no Dispositivo" (ODSA) para transferir perfis de eSIM entre dispositivos, incluindo transferências de plataforma cruzada entre Android e iOS. Quando funciona, a experiência do usuário é elegante: ambos os telefones próximos, alguns toques e o perfil do eSIM é transferido do telefone antigo para o novo. Sem visita à loja da operadora. Sem código QR. Sem ligação para o suporte ao cliente.

O detalhe crítico é a exigência do servidor de ativação (Entitlement Server). Para que uma transferência TS.43 ocorra com sucesso, tanto o dispositivo de origem quanto o de destino devem ser suportados pelo Entitlement Server da operadora, um sistema de backend que autentica a solicitação de transferência, valida a qualificação do dispositivo, desativa o perfil antigo e autoriza o novo.

O Android 16 e o iOS 26 incluem fluxos nativos de transferência TS.43 em seus assistentes de configuração do dispositivo. Mas o dispositivo é apenas metade da equação. A implantação do servidor de ativação da operadora é irregular:

  • As operadoras que investiram na infraestrutura TS.43 completa oferecem a experiência de "dois telefones, poucos toques".
  • As operadoras que ainda utilizam a infraestrutura de provisionamento legada exigem que os usuários entrem em contato com o suporte, recebam um novo código QR e façam a reativação manual.
  • Algumas operadoras oferecem suporte ao TS.43 para transferências na mesma plataforma (Android para Android ou iOS para iOS), mas não para transferências entre plataformas diferentes, porque o protocolo de handoff entre as camadas de implementação da Apple e do Google envolve mecanismos de troca de tokens proprietários que exigem configuração no lado da operadora para ambos.

A Deutsche Telekom tem estado entre as operadoras europeias mais agressivas na implantação do TS.43, implementando capacidade de transferência completa entre plataformas e servindo como implementação de referência para as diretrizes de desenvolvedores da própria GSMA. A NTT DOCOMO implantou o TS.43 para transferências dentro do mesmo ecossistema no Japão, com o suporte entre plataformas se expandindo em 2026. A maioria das operadoras de médio porte globalmente ainda não concluiu as atualizações de servidor de ativação necessárias para a conformidade total com o TS.43.

Verified SourceTransferência eSIM Deutsche Telekom

Deutsche Telekom — Lançamento do Recurso de Transferência de eSIM e Implantação do TS.43. Fonte primária da operadora confirmando a implantação do servidor de entitlements cross-platform GSMA TS.43 e a capacidade de transferência de eSIM pelo usuário.

O sintoma da experiência do usuário é bem documentado em fóruns e comunidades de suporte: dois telefones compatíveis com eSIM, ambos executando versões atuais de seus sistemas operacionais, ambos na mesma operadora, e a opção "transferir eSIM" simplesmente não aparece ou falha silenciosamente. A falha não é um bug no telefone. É uma capacidade ausente no lado do servidor da operadora.


O que os Engenheiros Realmente Precisam: Uma Árvore de Decisão para 2026

Dada a fragmentação em três camadas (escolha de especificação, profundidade de implementação da operadora, regime regulatório), aqui está uma estrutura prática para tomar decisões arquitetônicas sobre conectividade eSIM em 2026.

Para Dispositivos de Consumo (Smartphones, Wearables, Tablets)

Use SGP.22. É a única especificação com amplo suporte das operadoras, e a transferência de perfil GSMA TS.43 (mesmo que imperfeita) é estruturada em cima dela. As preocupações de engenharia são:

  1. Valide sua lista de operadoras em relação à implantação do Entitlement Server TS.43 antes de se cometer com um recurso de "transferência sem interrupções" em seus materiais de marketing.
  2. Planeje a contingência para código QR. Não é elegante, mas é universal.
  3. Para dispositivos exclusivos dos EUA, a cobertura do SGP.22 é excelente. Para lançamentos multi-operadoras europeus, verifique o suporte ao TS.43 por operadora e por país.

Para IoT Industrial (Sensores, Medidores, Rastreadores, Terminais POS)

Tenha como meta o SGP.32, mas planeje um período de transição híbrido. A arquitetura eIM é a escolha correta em longo prazo. Os passos práticos são:

  1. Selecione um eUICC que seja certificado para SGP.32 por um laboratório de testes reconhecido pela TCA. Kigen (divisão eUICC da Arm), Infineon e STMicroelectronics têm produtos SGP.32 em produção.
  2. Contrate um operador de eIM que possua integrações de produção com operadoras em suas geografias-alvo. Soracom, EMnify (agora parte da BSQUARE), BICS e 1ot.com estão entre as plataformas com implantações de produção SGP.32 documentadas.
  3. Para mercados onde a cobertura de operadoras SGP.32 é escassa (maior parte da América Latina, Sul e Sudeste Asiático fora da estrutura M2M da Índia, África Subsaariana), projete a contingência do provisionamento para o estilo OTA do SGP.22 com ativação acionada por API, aceitando que o "zero-touch" se torna "minimal-touch" nesses mercados.

Para Conformidade Regulatória

A árvore de decisão de conformidade prioriza a geografia:

  • Brasil: Reserve orçamento para uma parceria com uma MVNO local ou acordo direto com uma operadora brasileira que possua provisionamento em conformidade com a ANATEL. Considere a regra dos 90 dias desde o primeiro dia de planejamento da implantação dos dispositivos.
  • Índia: Contrate um provedor de serviços M2M licenciado pela TRAI antes que o design do dispositivo seja finalizado. Os requisitos de KYC afetam a arquitetura de provisionamento, não apenas a camada comercial.
  • China: Trate a China como uma plataforma separada. Não tente estender uma estratégia global de eSIM para a China. Construa um módulo de conectividade específico para a China com uma operadora licenciada domesticamente.
  • UE: O ambiente regulatório é permissivo com as operadoras, mas os requisitos de residência de dados e o GDPR afetam onde os servidores SM-DP+ e as plataformas eIM podem ser hospedados. Verifique se o operador do seu eIM possui infraestrutura de dados em conformidade com a UE.

Conclusão: Um Chip, Três Especificações, Quarenta Países

A promessa do eSIM, de um único SKU de hardware que pode ser provisionado em qualquer lugar da Terra, continua sendo tecnicamente viável em 2026. A arquitetura no SGP.32, combinada com uma implantação de eIM estruturada e uma rede de parcerias de operadoras, pode entregar um dispositivo que se provisiona automaticamente, troca de operadoras em resposta a requisitos regulatórios e nunca precisa de uma substituição física de SIM ao longo de uma vida útil de implantação de cinco ou dez anos.

A lacuna entre essa promessa e a realidade operacional não é uma lacuna de tecnologia. As especificações estão completas. Os chips are certificados. O gap é a profundidade de implantação: os 57 pontos percentuais entre "afirma suporte a eSIM" e "executa um fluxo completo de provisionamento headless SGP.32", acumulados operadora por operadora, país por país, por meio de decisões tomadas sobre investimento em infraestrutura nos últimos três anos.

Para engenheiros, a lição prática é que as decisões sobre a arquitetura do eSIM são decisões de estratégia de conectividade disfarçadas de escolhas de hardware. O eUICC que você seleciona, a plataforma eIM que você integra e os acordos de operadoras que você negocia antes que seu primeiro protótipo seja fabricado determinarão se seu dispositivo funciona perfeitamente em São Paulo, Mumbai e Tóquio, ou se chega a esses mercados e fica em um armazém alfandegário aguardando que alguém o atualize manualmente com um SIM local.

O padrão não é o gargalo. A implantação é.


Fontes Externas

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